Kurt Vonnegut

15 de abril de 2007

Kurt Vonnegut, escritor norte-americano, faleceu no dia 11 de abril de 2007, quarta-feira, aos 84 anos. Ele usou como base, para compor as suas obras, o humor negro, a sátira e a ficção científica. Nascido em Indianápolis (Indiana) em 11 de novembro de 1922.

Um amigo do autor, Morgan Entrekin, explicou ao jornal The New York que Vonnegut morreu em conseqüência de complicações nas lesões cerebrais provocadas por uma queda.Vonnegut foi prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial depois de ter sido capturado pelos alemães, em 1945, Kurt Vonnegut relatou em uma de suas obras-primas,”Matadouro 5″ (Slaughterhouse-Five, 1969), que foi sucesso imediato, a experiência no terrível bombardeio de Dresden. Ele foi capturado durante a batalha das Ardenas. Confinado em uma galeria de Dresden que servia de matadouro na época do bombardeio aliado, foi um dos poucos sobreviventes do grupo de sete prisioneiros americanos.

Entre seus livros publicados no Brasil, que denunciam os horrores das guerras e das ditaduras, estão “Um Homem Sem Pátria”, “Destinos Piores que a Morte”, “Hocus-Pocus” e “Timequake -Tremor de Tempo”.Depois da guerra, trabalhou como jornalista em Chicago e depois retomou seus estudos universitários de antropologia. Sua tese “The Fluctuations Between Good and Evil in Simple Tales” foi rejeitada por unanimidade pela banca. Por isso não pôde obter seu diploma até 1971, quando os professores aceitaram seu livro “A cama de gato” (Cat’s Cradle) em substituição ao trabalho anterior.

Em 1947, foi para Nova York escrever para várias revistas, ao mesmo tempo em que fazia bicos para poder sobreviver. Seu primeiro romance foi “Player Piano” (1952), que descreve uma sociedade dominada pelas máquinas e na qual prevalecem as divisões entre classes sociais, tudo isso com humor e ironia, um tom que marcaria suas futuras obras de ficção.

Em 1959, publicou “The Siren of Titans”, outro romance de ficção científica que, satiricamente, fala da “igreja de Deus, a indiferença absoluta”. Quatro anos mais tarde, “A cama de gato”, obra autobiográfica que narra a história de um escritor que trabalha num livro sobre o bombardeio atômico de Hiroshima, é recebido com entusiasmo pelo público. Hoje em dia, esse livro é considerado um clássico nos estudos de literatura nos Estados Unidos.

Vonnegut continou publicando com voracidade até que, em 1969, seu “Matadouro 5″ chega aos primeiros lugares na lista dos livros mais vendidos. Sua última obra de peso, “Timequake”, foi publicada em 1997, e nos anos finais de sua vida colaborou com a revista de esquerda de Chicago “In These Times”.

Em 2003,  se declarou contra a invasão norte-americana do Iraque. Escreveu ele em tom jocoso: “Acho que nosso país, que defendeu sua Constituição em uma guerra justa, poderia ser invadido igualmente por marcianos ou ladrões de cadáveres”.

É uma perda lastimável para a literatura mundial.

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