Edgar Indalecio Smaniotto*
As Luzes de Alice, uma noveleta do escritor Miguel Carqueija vêem dar continuidade ao universo criado por H.P. Lovecraft, e toda a sua mitologia referente aos Grandes Antigos, ao livro Necronomicon e ao mito de C`Thullu.
A noveleta é uma aventura de ficção científica e terror, a história se passa em um futuro em que a humanidade colonizou uma parte do nosso braço da Via Láctea, e já mantém contato com seres extraterrestres. Apesar de ser um futuro dominado pela ciência, quando um misterioso assassinato acontece a bordo de uma estação espacial, a clarividente Alice Chantecler é levada a interferir na busca do misterioso assassino. O que a lavará a um duelo de vida ou morte contra os Grandes Antigos.
Estamos diante de uma bela narrativa, em que seres humanos acabam por ter que enfrentar entidades demoníacas muito mais poderosas. O pensamento religioso (católico), do autor perpassa toda a obra, vejamos um trecho:
“Alice Chantecler pode localizar objetos perdidos, bem como pessoas e animais, e por considerar seu dom uma dádiva de Deus, auxilia gratuitamente a quem precisar de seus serviços (p. 10).”
Na verdade o que me aproximou da obra deste autor foi justamente esta faceta de seu pensamento, afinal se vamos construir uma ficção científica legitimamente brasileira, não o iremos fazer repudiando nossa herança católica, pois esta é uma parte essencial da nossa cultura. Os personagens são bem construídos, mas uma ressalva que poderíamos fazer é a falta de ação física na parte final em que Alice enfrenta o Demônio. Ainda assim uma excelente leitura para nossas escassas horas de lazer.
Boa Leitura!
CARQUEIJA, Miguel. As Luzes de Alice. São Bernardo dos Campos: Edição Especial Hiperespaço, 2004. (R$ 5,00)
Pedidos para: Miguel Carqueija, miguelcarqueija@bol.com.br.
* Edgar Indalecio Smaniotto é filósofo e cientista social (mestrando), pela UNESP de Marília.
edgarfilosofo@uol.com.br
Popularity: 1% [?]
Artigos Relacionados:
- Galeria do Tempo: da Terra à Lua, de Júlio Verne Miguel Carqueija Coleção Saraiva, 240 (S.Paulo) – tradução de Augusto...















