O Estranho (?) Mundo de Tim Burton
Ademir Pascale

Timothy William Burton – sob o pseudônimo de “Tim Burton” -, nasceu em Burbank, na Califórnia, no dia 25 de agosto de 1958. Burton foi um garoto sonhador e apaixonado – para não dizer, obcecado – por filmes de terror de baixo-orçamento. Já na adolescência, ganhou uma bolsa da Disney para estudar no Instituto das Artes da Califórnia por três proveitosos anos e, logo após, foi contratado pela Walt Disney Studios, com o cargo de Aprendiz de Animador.
Quem diria que anos depois seria o grande cineasta Tim Burton?
A Disney, infelizmente, não mostrou muito interesse pelos trabalhos “estranhos” de Burton, deixando o grande garoto infeliz (as personagens dos desenhos animados de Burton geralmente são dotados de grandes olhos esbugalhados – isso quando possuem olhos –, são maltrapilhos e, na maioria das vezes, como a própria Disney pronunciou, parece que foram “atropelados”.
O cenário gótico também é um dos pontos marcantes do cineasta. Notem que a maioria dos grandes gênios mundiais, cineastas, cientistas, físicos, matemáticos, artistas, autores, etc., sempre encontraram terríveis obstáculos no percurso do sucesso, simplesmente pelo fato de serem diferentes e incompreendidos.
Sei que foge um pouco do contexto deste artigo, mas gosto de citar “historinhas” e dar exemplos, e o caso de Thomas Edison é um deles. Assim como Albert Einsten, Edison foi rejeitado no colégio, até que largou o estudo em sala de aula, sendo educado pela mãe em sua própria casa. Posteriormente, o que ele criou? A lâmpada elétrica.
O medo de expor nossas idéias, quando estas fogem do cotidiano do ser humano, é grande, mas aqueles que o fazem geralmente são reconhecidos no futuro. Há desculpas, como o medo do fracasso e a falta de tempo. Digamos que nós poderemos ser tachados de “workaholics” (viciados em trabalho) e sem tempo para nada, mas aqueles que persistem conseguem o que querem.
A britânica J. Rowling é um destes exemplos. Divorciada, morando de aluguel, com pouco dinheiro e tendo uma filha pequena para criar, escreveu mais de trezentas páginas da obra “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, persistiu por vários anos para a sua publicação, e conseguiu. Hoje, é a segunda mulher mais rica do mundo, perdendo apenas para a Rainha Elizabeth. Peço desculpas pelos exemplos similares aos de um texto de auto-ajuda, mas este é meu estilo, além de que os achei convenientes para que vocês sintam a verdadeira essência do gênio e batalhador chamado Tim Burton.
Agora, você sabe qual é a relação entre o aristocrata e romancista inglês Horace Walpole (1717 -1797) e o cineasta estadunidense Tim Burton?
Horace Walpole foi o idealizador do romance gótico com a primeira obra do gênero mundial, “O Castelo de Otranto” (1764). Já o estiloso Tim Burton é conhecido por seus incríveis longas-metragens góticos, como Edward Mãos de Tesoura, A Noiva-Cadáver, O Estranho Mundo de Jack, e outros, como Batman, pois quem seria melhor do que Tim Burton para fazer uma interpretação do gótico super-herói?
Horace Walpole foi o pai do estilo gótico literário, tendo influenciado outros grandes autores, dando destaque para Mary Shelley (1797-1851), autora da obra “O Moderno Prometeu” e da tétrica criatura Frankenstein. Posteriormente – dando um salto no tempo -, viriam os grandes cineastas góticos, sendo um deles o Tim Burton.
O estilo de Tim Burton é incrível; sombrio, dramático e cômico. A parceria em vários trabalhos com o ator Johnny Depp é promissora, e esta dupla já rendeu muitas cifras para as produtoras e seus envolvidos.
(Um dos últimos trabalhos da dupla é um musical da Paramont Pictures, dirigido por Burton, “Sweeney Todd”, tendo como protagonista, claro, Johnny Depp).
Burton não agrada somente aos adultos com o seu “diferente” estilo, mas também às crianças. A Noiva-Cadáver e O Estranho Mundo de Jack – como produtor, juntamente de Denise Di Novi – são grandes exemplos. Os adolescentes também se deleitam com as peripécias desde gênio, que a convite dos músicos “The Killers” dirigiu o videoclipe intitulado “Bones”. – A música é parte integrante do álbum “Sam’s Town”.
Com o gênero terror mais apimentado, temos a versão do clássico “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, dirigido por Tim Burton em 1999. Com um estilo diferenciado, temos “Ed Wood, o pior diretor de todos os tempos”, uma homenagem e um retrato da vida do cineasta Ed Wood, sendo protagonizado por Johnny Depp. O filme foi lançado em 1994. (O longa Ed Wood, ganhou 2 Oscars, um de melhor ator coadjuvante para Martin Landau e o outro de melhor maquiagem). Ainda posso citar o incrível remake baseado no livro de Roald Dahl “A Fantástica Fábrica de Chocolates”.
DICA DE LIVRO

O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra & Outras Histórias
Autor: Tim Burton
Editora: Girafinha
Nº de páginas: 128
MINI-SINOPSE
Escrito e ilustrado por Tim Burton. As ilustrações evocam a doçura e a tragédia da vida, o autor apresenta uma galeria de personagens infantis muito peculiares. Incompreendidos e desajustados, eles lutam para encontrar amor e aceitação em um mundo cruel. O TRISTE FIM DO MENINO OSTRA E OUTRAS HISTÓRIAS, é um livro estranho (?), chocante e melancólico de heróis desesperançados e infelizes que remetem ao lado negro que existe em todos nós.
TRECHO DA OBRA
“Era uma vez um melão melancólico
Passava o dia inteiro macambúzio
Querendo a hora do próprio velório
Ora, cuidado com os teus pedidos!
Pois o dele foi de pronto atendido
O último som que entrou em seus ouvidos
Foi o ‘ploft’ em que acabou dissolvido.”
FILMES
Se você não conhece muito bem os trabalhos do cineasta, assista aos filmes listados da filmografia abaixo e, para finalizar, lembre-se: “Nunca tenha medo de errar e expor suas idéias”, use como apoio a história dos grandes gênios.
FILMOGRAFIA
2008 – Believe It or Not
2006 – Sweeney Todd
2005 – A noiva-cadáver
2005 – A fantástica fábrica de chocolate
2003 – Peixe Grande e suas histórias maravilhosas
2001 – Planeta dos macacos
1999 – A lenda do cavaleiro sem cabeça
1996 – Marte ataca!
1994 – Ed Wood
1992 – Batman – O Retorno
1990 – Edward Mãos de Tesoura
1989 – Batman – O filme
1988 – Os fantasmas se divertem
1985 – As grandes aventuras de Pee Wee
1984 – Aladdin e a lâmpada maravilhosa (TV)
1984 – Frankenweenie (curta-metragem)
1982 – Hansel and Gretel (TV)
1982 – Vincent (curta-metragem)
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SOBRE O AUTOR ADEMIR PASCALE - Lingüista, crítico de cinema, ativista cultura, escritor, professor de informática (LINUX), idealizador do projeto de inclusão social VÁ AO CINEMA e do zine TerrorZine – Minicontos de Terror e editor do portal Cranik (www.cranik.com), é também autor do áudio-livro Cinema – Despertando seu olhar crítico (Editora Alyá). Já publicou seus contos em diversas antologias, organizou a coletânea Nos labirintos da Escuridão (CPJA), está com o romance O Desejo de Lilith - Revelações em um diário no prelo e organizará a coletânea de novelas para a obra Invasão – Fic Science Edition da Giz Editorial. Contato com o autor: ademir@cranik.com
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Realmente também gostei da matéria, é bom saber que não se pode desisitir, e só porque alguém fala que você não é capaz ou que não serve isso necessáriamente não é verdade! Ele é um exemplo disso, amo os filmes dele!
Òtima matéria. Adoro os filmes do Tim, ele consegue bem retratar o mundo Gótico, Ademir, está de parabéns pelo artigo.
Parabéns Ademir,
Ótima matéria.
Adoro os filmes do Tim Burton,um melhor que o outro,pois ele sabe como retratar bem um universo gótico,e trabalha muito bem com o suspense e terror.
Gostei muito de ler e saber um pouco mais sobre ele!
Parabéns mesmo.
Mto bom o seu artigo Ademir. Bem completo!!!!! E não se incomode com o texto de auto-ajuda. Estava ótimo e é sempre bom mostrar que temos de nos arriscar para apresentar as nossas ideias.
Parabéns pelo artigo!
Olá,
Gostei muito do artigo selecionado pela Scarium. Gosto muito dos filmes.
Pessoal, fico agradecido pelos comentários. Gosto muito do Tim Burton e seus filmes, principalmente do “Peixe Grande e suas histórias maravilhosas”, “Ed Wood”, “A noiva-cadáver” e “A lenda do cavaleiro sem cabeça”. Tanto livros como filmes neste estilo, deveras me inspiram. Logo teremos mais uma publicação minha na Scarium sobre a autora Jane Austen.
abração,
Tim Burton é meu diretor favorito… Johnny Depp é meu ator preferido! O Castelo de Otranto é um livro maravilhoso! Ademir, você conseguiu escrever um excelente texto sobre alguns dos meus assuntos favoritos!!! Congratulações!
Luciana Fátima.
Olá, sehores!
Como sou fã de Tim Burton e de Johnny Depp – ambos se completam – e, também, por ter assistido a quase todos seus filmes sinto-me à vontade para, com prazer, elogiar esta bem elaborada matéria de Ademir Pascale.
Adoro cinema e conheço muito sobre esse segmento, mas é impossível possuir conhecimento pleno de algma coisa. Por isso me surpeendi ao saber a respeito da pré-jornada da vida de Burton que, aliás, é muito semelhante a de muitos que conheço como minha própria história que ainda está longe de atingir um lugar próximo ao topo.
Acredito que as pessoas deveriam perseguir seus sonhos, mas são poucos que arriscam e por isso é que muito sofrem. No caso dele, embora o tenham desdenhado, a Disney lhe deu uma chance para catapultar sua carreira – fora o primeiro passo. Não quero ser injusto, mas jamais soube de algúem neste país que tenha recebido semlhante oportunidade, dentro das condições sócio-econônica e cultural dele, de Thomas Edison, Albert Einsten e muitos outros. Entendo que foram guerreiros e são merecedores de tudo o que conseguiram através do dom ou talento e da perseverança, porém aos brasileiros nas mesmas condições não bastam tais atributos.
Parabéns, Ademir Pascale, pela bela e completa matéria e parabéns, Revista Virtual da Scarium, pelo excelente espaço!
Acompanho em muitas páginas o trabalho do escritor e aqui dono do artigo “O Estranho (?) Mundo de Tim Burton” Ademir Pascale. Posso crer que o mundo de Pascale sugeriria assim como o de Burton futuros estudos, pois nota-se sempre algo de genial nas suas produções. Não saindo de foco, Tim Burton é mesmo um exemplo para todos os cinéfilos, amantes do audiovisual, pois consegue maravilhas na edição de seus filmes. Sempre muito original e mergulhando no imaginário fantástico ele recupera sensibilidades humanas esquecidas nos enredos atuais. Feliz pela escolha de Johnny Deep para protagonizar seus trabalhos, lança um olhar gótico sobre as sombras da vida, os esquisitos são na verdade a melhor versão do que é humano, do que é sensível do que é o interior das gentes. Encontramos plena empatia com suas criações e identificamos com suas lendárias, fantásticas composições literárias. Neste mundo de magia, não podemos esquecer da grande fábrica que tem se tornado o nosso país para a composição do gênero fantástico; aliás, encontros, festivais, portais, blogs e sites recuperam o tempo perdido. É muito importante ler artigos como esse para orientarmos nossa produção, pois alimentam e subsidiam a imaginação. Não é que deu-me, agora, logo após esse artigo uma grande vontade de escrever. Parabéns Ademir, siga em frente fomentado arte, conhecimento e cultura. Tenho dito.
Bruno Resende Ramos
Escritor mineiro – 04/01/2009
Em Johnny Depp, Tim Burton encontrou o representante ideal e multifacetado e hierofante para seus delírios. Parceria antológica!
Muitas pessoas realmente possuemessemedo de se expor, por medo de críticas ou de serem negadas de forma cruel. Alguns poucos resolvem arriscar e encontram este lado exposto em sua matéria.
Até hoje tenho ficado um pouco arredia de expor um livro e ver se ele seria aceito para publicação, algumas pessoas acham que devo ir em frente, outras nada comentam, mas de alguma forma estranha (?), sua matéria apenas torna mais forte as vozes que dizem que eu não devo temer, mas sim que eu devo ir em frente e expor aquilo que eu já devia ter exposto.