Em Busca de Shangri-Lá
Miguel Carqueija
“HORIZONTE PERDIDO” , de James Hilton
Editora Abril, S.Paulo, 1980 – tradução de Francisco Machado Vila e Leonel Vallandro
Entre os grandes clássicos da literatura do Século XX encontram-se diversas obras de ficção científica, como por exemplo “1984″ de George Orwell, “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, “As Crônicas Marcianas” de Ray Bradbury e “Eu, robô”, de Isaac Asimov. Com certeza, “Horizonte perdido” (Lost horizon), do inglês James Hilton (1900-1954).
Autor também de “Adeus, Mr. Ships” (que ganhou duas adaptações cinematográficas) Hilton obteve consagração como romancista. Em “Horizonte perdido” conseguiu atingir o imaginário popular, com a sua criação de Shangri-Lá, a cidade onde as pessoas se conservavam jovens por longo tempo. Confesso que a leitura da obra real mostrou ser a mesma diferente do que eu próprio imaginava, pois na verdade os habitantes do vale perdido entre as montanhas do Tibet envelheciam, ainda que muito mais lentamente que no resto do mundo.
O romance gira em torno de Conway, herói britânico da Primeira Guerra Mundial e que, no começo da década de 1930, encontra-se dentro de um aeroplano sequestrado por um misterioso terrorista e levado contra a vontade para Shangri-Lá.
Há mais três passageiros: o Capitão Charles Mallinson, vice-cônsul britânico na Índia; Miss Roberta Brinklow, missionária católica; e Henry Barnard, americano que esconde um segredo pessoal. Sem que eles percebam, o piloto do avião é posto fora de combate e substituído por um misterioso intruso. Sob ameaça de arma, não podendo penetrar na cabina de pilotagem, o quarteto é constrangido a seguir viagem para o desconhecido. Finalmente o aeroplano pousa numa inóspita região do Tibet, e o sequestrador morre em consequencia de ataque cardíaco. Os quatro passageiros entram em contato com o misterioso mosteiro lamanista de Shangri-Lá, situado naquela região de dificílimo acesso, e são forçados pelas circunstâncias a permanecer lá durante algum tempo.
Confesso que não entendi na íntegra como se daria o processo de esticamento da vida humana e também não concordo com a política seguida por Perrault, o ocidental transformado em monge lamaísta, de atrair estrangeiros e persuadi-los a permanecerem para sempre em Shangri-Lá. Toda a cortesia de Tchang e do Lama não tiram, a meu ver, a razão de Mallinson, cujo bom senso me parece muito superior ao de Conway, qua se deixa levar pela atração do lugar e é cooptado quase até o final.A narrativa termina tembém com muitas pontas soltas. A cooptação de Lo-Tsen por Mallinson não é suficientemente explicada, e o destino final dos personagens – praticamente todos – permanece um mistério. O romance, aliás muito bem escrito, termina em aberto, e é provável que outros autores tenham se aventurado a criar continuações livres.
“Horizonte perdido” ficou no imaginário da humanidade. Quase todo mundo já ouviu falar em Shangri-Lá. Passou a ser uma das “cidades perdidas” da ficção científica, como Pellucidar de Edgar Rice
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