Folclore Mágico: A Travessia

Miguel Carqueija

atravessia1Roberto de Sousa Causo lançou, com “A sombra dos homens” (Devir, 2004) um extraordinário universo ficcional nacionalista, o de Tajarê, um índio amazônico, mas de uma Amazônia pré-cabralina e mágica. Faz lembrar o Inuyasha, herói de um Japão feudal alternativo, cheio de magia e monstruosidades.

Tajarê parece que também tem qualquer coisa de Conan: o herói hercúleo mas sem magia, que age em meio a forças mágicas às quais até certo ponto é imune. O livro inicial é repleto de ação, com o Mboitatá desembestando pelo Rio Amazonas e atacando o reduto das icamiabas (as lendárias guerreiras que deram nome ao rio). Existe também a presença da feiticeira viking Sjala, que se casa com Tajarê.

“A travessia” (Nova Coleção Fantástica, 6 – São Bernardo do Campo, SP, 2009 – selo Hiperespaço) é uma noveleta que dá prosseguimento à saga. Com seu estilo rico e seguro Causo vai tecendo uma epopéia admirável, plena de detalhes e com vocabulário extenso. Tajarê e Sjala, separados da tribo após a batalha no Rio Amazonas, tentam retornar para casa, para a Aldeia do Coração da Terra, mas esbarram com o Povo das Águas Escuras e com jabutis gigantescos, cujo interior abre para outros mundos ou dimensões, num autêntico detalhe de ficção científica. O ponto alto da história é o confronto com um megatério, animal pré-histórico, espécie de preguiça gigante e dotada de garras perigosíssimas.

A história termina com o final em aberto, sinal evidente de que Causo pretende continuar com a saga de Tajarê, espécie de herói de poucas palavras e de comportamento em linha reta, reservado e determinado.

O livro conta com ilustrações do próprio autor e prefácio do editor César Silva. Falta, porém, um apêndice, onde Causo deveria esclarecer alguns tópicos, palavras indígenas, elementos folclóricos — as icamiabas, o mapinguari, a mati-taperê, o muiraquitã. O livro pede esse apêndice, se o objetivo é incentivar os leitores no conhecimento das riquezas do nosso folclore.

Novela altamente meritória no quadro da fantasia brasileira, prosseguindo a tradição de Thales Andrade (“Itaí, o menino das selvas”) e outros autores, ainda poucos.

Título A Travessia
Autor: Roberto se Souza Causo

Editora: Hiperespaço (amadora) / Coleção Fantástica
Páginas: 80
Ano: 2009


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2 Comentários to “Folclore Mágico: A Travessia”

  1. Roberto de Sousa Causo

    Um agradecimento tardio ao Carqueija, pela atenção dessa resenha, ele que está sempre de olho nas publicações amadoras de ficção científica e fantasia.
    O projeto da Saga de Tajarê é realmente mais literário do voltado à divulgação do folclore — ele busca demonstrar que a cultura brasileira e nativo-brasileira, adaptada às estruturas narrativas comuns à fantasia, podem render boas histórias e fazer com que olhemos a nossa própria realidade com outros olhos.

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  2. [...] no Mensagens do Hiperespaço sobre ‘Anjo de Dor’ E sobre ‘A Travessia’ Resenha do Homem Nerd sobre ‘A travessia’ Resenha da Scarium Online sobre ‘A [...]

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Edgar Franco





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