GODSPEED: Tecnologia de ponta e interferência extraterrestres.

Edgar Indalecio Smaniotto

Resenha do conto: Godspeed de Charles Sheffield
Publicado em: Isaac Asimov Magazine nº 24.
Trad. Ronaldo Sergio de Biasi. Editora Record.

GODSPEED

Charles Sheffield (1935-2002) é matemático e físico, tendo sido presidente tanto da American Astronautical Society quanto da Science Fiction Writers of America e diretor científico da Earth Satellite Corporation. Ele publicou mais de uma centena de documentos técnicos e monografias sobre temas tais como física nuclear, análise de campo gravitacional, relatividade geral, e também um grande acervo de artigos de divulgação científica.
He serves as a science reviewer for several prominent publications.
Também foi revisor científico de várias publicações.
Em 1991 ganhou o prêmio Hugo (um dos três maiores prêmios do gênero nos EUA) de melhor história curta com o conto Godspeed, que nos principiamos a resenhar. Godspeed narra, através da visão de Wilmer, os empreendimentos que este realiza com seu sócio Marcus Aurelius Jackson, que na visão do narrador pode ser classificado como milionário, gênio e louco.
Neste futuro hipotético a

base lunar dos Estados Unidos, na face oculta da Lua, já era quase auto-suficiente, reciclando 99% do alimento, água e suprimentos. Apenas os equipamentos mais complicados eram fabricados na Terra e enviados para lá. Os russos tinham sua colônia em Marte, depois de três tentativas frustradas que haviam custado a vida de 147 pessoas. O consórcio C-J enviara uma expedição de chineses e japoneses para explorar o cinturão de asteróides e havia outra a caminho de Júpiter. A Comunidade Européia lançara uma nave não-tripulada para estudar os planetas exteriores, lançando sondas inteligentes na atmosfera de cada um dos planetas“.

Além destas conquistas, um consórcio internacional se prepara para lançar uma Sonda Planetária de Propulsão Elétrica Contínua batizada de Starseed, capaz de viajar a 1% da velocidade da luz, o que significa que demoraria quase mil anos para chegar a Tau Ceti.
Marcus Aurelius Jackson por sua vez esta indignado com miopia dos institutos de financiamento que não financiam suas pesquisas com propulsão mais rápida que a luz, por julgar, devido às conseqüências da teoria da relatividade, que está séria impossível. Marcus, entretanto, não vê futuro para a humanidade no espaço, a menos que quebre esta barreira, viajando mais rápido que a luz.
Com a ajuda de Wilmer (que narra a história), Marcus inicia suas pesquisas com propulsão mais rápida que a luz, graças as peripécias do amigo, que com a quantia certa consegue acesso a toda a tecnologia necessária ao projeto. Os dois conseguem, após 5 anos, desenvolver o referido projeto e testá-lo com uma pequena sonda fotografica, enviada para Marte.
Os dois amigos passam então a construção de uma pequena nave tripulada, ainda com tudo escondido do governo, agora sob o nome de Projeto Godspeed (Velocidade Divina). Tudo ia bem, até que misteriosos extraterrestres auto-intitulados genizee surgem com suas naves na Terra.
Os extraterrestres dizem vir de Tau Ceti, em uma viagem de 25 anos, ou seja, 50 anos contando a sua volta a Tau Ceti, eram anfíbios e se mostraram pacíficos. No decorrer do contato os genizee revelam que vieram a Terra alertar a humanidade sobre testes com propulsão mais rápida que a luz, dizem que estas são possíveis, mas podem afetar todo um quadrante do espaço, levando a extinção da espécie que a criou.
Os extraterrestres inclusive sondaram com seus instrumentos o local dos testes, o que leva Wilmer e Marcus a serem presos, ao mesmo tempo em que os genizee partem, sem nenhum contato mais estreito com a humanidade. O conto prossegue dando ênfase a desconfiança de Marcus, que acha improvável que o uso de propulsão mais rápida que a luz possa ter o efeito que os genizee descreveram.
Wilmer mesmo preso consegue, através do uso da fortuna de Marcus, libertar Marcus e fazê-lo chegar à nave Godspeed (até parece cadeia brasileira), que Marcus usa para ir atrás dos genizee. Assim ele pretende provar que eles também usam tecnologia de propulsão mais rápida que a luz.
Este conto de Charles Sheffield levanta algumas questões sobre tecnologia espacial e seus limites e a falta de espírito crítico da humanidade frente a um contato com extraterrestre. Todos acatam a mensagem dos genizee, ninguém se pergunta se eles não queriam apenas impedir que os humanos tivessem acesso a uma tecnologia tão avançada quanto a deles.
O conto explica o porquê os genizee, mesmo não tendo tecnologia de propulsão mais rápida que a luz, conseguem identificar um experimento ocorrido um ano antes e vir alertar os humanos, mesmo tendo feito uma viagem de 25 anos. Mas para Marcus isso não é o suficiente para não duvidar das intenções tão ‘humanistas’ dos genizee, assim ele pretende correr o risco ao invés de aceitar a voz da autoridade (vinda de uma suposta espécie mais evoluída).

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O Projeto Arqueologia da Ficção Científica tem por objetivo resenhar romances e contos de ficção científica publicados, em língua portuguesa, do advento da ficção científica ao fim do século XX.

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Edgar Indalecio Smaniotto
Filósofo, mestre e doutorando em Ciências Sociais pelo programa de pós-graduação em Ciências Sociais da UNESP – Faculdade de Filosofia e
Ciências de Marília.
Resenhista das Revistas macroCOSMO.com
(http://www.revistamacrocosmo.com/portal/), e Scarium Magazine.
Articulista do Jornal GRAPHIQ e da
Revista Banda Desenhada Jornal (de Portugal).

Autor do livro: A FANTÁSTICA VIAGEM IMAGINÁRIA DE AUGUSTO EMÍLIO
ZALUAR: ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na
ficção científica brasileira. Rio de Janeiro: Editora Corifeu, 2007.

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Um Comentário to “GODSPEED: Tecnologia de ponta e interferência extraterrestres.”

  1. Amilton Souza

    Olá adorei o artigo!

    #84

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