O Dia das Lobas
Marco Bourguignon
“Ela entra no metrô. Olhando-se para ela jamais se diria que é uma loba. Seus olhos oblíquos perscrutam. O sorriso rasgado na cara felina espera a hora certa. Suas pernas peludas escondidas dentro das botas de cano alto, sob a saia comprida, abrem-se e fecham-se atraindo os olhares curiosos dos homens”.
O Dia das Loba
Razão Social
Páginas: 70
Formato: 13X21
Novela galardoada com o “Prêmio Escrita de Ficção, 1984″, pode ser considerada um resgate da Ficção Científica (tão marginalizada) para dentro da Literatura Brasileira. A narrativa de Nilza Amaral traz a preciosidade da literatura fantástica, comparável à eterna escritora Dinah Silveira de Queiroz. Seus contos, novelas e romances são, antes de mais nada, pura literatura de encantamento do mundo que nos cerca. Um olhar estranho para algo que nos é familiar. Sua linguagem é precisa e concisa, com diálogos curtos e essenciais. O mistério e o suspense são elementos para dar o tom do enredo. As metáforas criam ilusões perfeitas de um mundo que conhecemos.
O que assusta em “O Dia das Lobas” é a contemporaneidade da narrativa, facilmente reconhecida dentro do universo criado pela autora. Uma grande cidade urbana e capitalista, em seu colapso e decadência, onde o erotismo, o tédio, a violência, o jogo do poder, a solidão e a automatização são elementos principais da vida quotidiana, em detrimento do lazer e do bem-estar social.
Na ponta da engrenagem estão os sociólogos, que desempenham uma função sinistra na engenharia social. Os crimes são separados por categorias e têm dia certo para acontecer: “As terças era o dia dos saqueadores…”, “Às quartas era o dia dos topadores, pessoas que saíam dando-lhe topadas pelas ruas esburacadas, tentando roubar-lhe alguma coisa. Essa espécie já estava quase em extinção porque se tornara ridículo tentar tirar o que os outros não mais possuíam…”, e “Era sexta-feira, dia dos estupradores,…”. Um dos maiores problemas na ordem institucionalizada era a nova classe que estava surgindo: as lobas, criaturas angélicas, bonitas com seus “cabelos cor de mato queimado”. As sextas-feiras se transformam em criatura de pelos macios e procuravam por suas vítimas no metrô e “Aos sábados apareciam muitas mulheres queixando-se do desaparecimento de seus companheiros”.
Estes é um daqueles livros que, quando começamos a ler, não conseguimos mais parar. E ao final pedimos mais.
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Nilza Amaral - nasceu em Piracicaba, morou em várias cidades do interior onde fez seus primeiros estudos. Fixou-se em São Paulo nos anos 60. Formo-se em Literatura Inglesa e Portuguesa e fez cursos de aperfeiçoamento no exterior.
Começou na literatura abrindo caminho através de concursos literários tendo obtido vários prêmios. Escreve novelas nas que focaliza a inter-relação mulher homem-ódio-amor-medo.
e-mail para contato: nilzamar@webcable.com.br
Outras obras da autora
O Florista – Editora Masso Ohno, SP, 1998. 127 páginas
Meia Lua e esmalte vermelho – Editora Writers, SP, 98 páginas
Lugar de Mulher é na Cozinha – Antologia – Editora Writers, S P, 2001, 120 páginas
Leia On Line da autora:
Leia Também na Scarium MegaZine:
Como se fosse o último dia do Ano – Scarium MegaZine, nº 3, nov/dez de 2002.
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